domingo, 16 de dezembro de 2012

Capitulo 2: The love is a jerk


Eu não lembro honestamente nem da metade do que aconteceu no caminho. É tudo um grande borrão quando tento me lembrar até hoje. Eu nunca pedalei tão rápido... Depois que fecham as portas não entra ninguém no Orienta, ainda mais em dia de audição para o recital de verão!
Até recentemente eu tinha decidido que não ia participar. Nas férias de meio de ano eu havia me aprofundado mesmo procurando coisas sobre minha mãe biológica. Eu tinha chegado até o fato de que talvez uma garota do Norte fosse minha irmã. Eu ia usar meu verão para procurar por ela, mas minha mãe me disse que “Os documentos de adoção atualmente estão muito bagunçados, querida, não dá para descobrir se é verdade, você pode achar uma vigarista”.
Papo chato, mas até que me atingiu bem forte, pois há um fundo de verdade... De todo jeito eu me convenci que mesmo sendo adotada lá, ela podia ter se mudado, além disso, eu só sabia isso, ela foi adotada no Norte e eu no Sul.
Bom, o que importa dessa história toda é que decidi me inscrever no recital para algum papel pequeno que pudesse me dar tempo das minhas férias de verão. Mas eu não queria deixar de participar do recital de jeito nenhum.
Então, com 10 minutos faltando para as audições começarem, eu lembro que tinham audições! Parabéns Bárbara! Você tem tanto compromisso com o que você quer!
Eu peguei minha bicicleta e pedalei mais rápido do que nunca, e a coisa mais nítida que eu lembro foi ter atropelado um garoto de bem bonito e só gritado que estava atrasada. E continuado pedalando. Grossa, eu sei, mas foi necessário...
Cheguei lá em cinco minutos e troquei de roupas em dois, cheguei à sala exatamente quando a sineta tocou anunciando o inicio das audições.
“Respire fundo”, pensei “Você conseguiu”.
A minha professora de balé já estava lá na frente fazendo a chamada. Coloquei fones de ouvido para amenizar a tensão. Eu sei que sou boa e vou entrar. Mas sempre fico ansiosa antes de uma apresentação.
Notei que Bruno se aproximou. Era a última coisa que eu precisava agora, aquele sorriso irônico e idiota.
“Como você vai saber sua vez se ficar usando fones de ouvido o tempo inteiro?”, ele riu.
Com licença, seu retardado, eu estou tentando não pensar em nada e me preparar para uma audição, agora se você puder ir para bem longe daqui... de preferencia para outro estúdio, eu agradeceria.
Eu queria ter dito, mas não falei.
“Se eu perdesse a chamada...”, dei um sorriso irônico “Pelo menos seria por fones de ouvido e não por estar conversando com um babaca”.
“Assim você me magoa, Bailey”, ele fingiu uma cara de dor.
“Só me diz uma coisa”, falei meio sem paciência “Porque ‘nós’ estamos conversando?”, eu franzi a testa.
“Bom, na verdade, eu estou aqui por total interesse”, ele disse “ Mas eu acho que você vai gostar bastante na verdade... Preciso de você para dançar Romeu.” Deus, ele é tão prepotente “Quer ser minha Julieta?”
As duas últimas frases dele seriam fofas... Se não fosse ele falando.
“Estava enganado.”, eu disse.
“Sobre o quê?”, ele pareceu confuso.
“Sobre eu gostar”, eu disse “Eu superei aquela paixonite de criança por você a um longo tempo e acredite em mim, agora que eu sei como usar um cérebro, eu não tenho vontade alguma de fazer alguma coisa, qualquer coisa, com você”.
“Ah qual é Bailey”, ele disse “ Supere esse fora logo ok?”
“Olha o que eu preciso falar para você não me incomodar mais?”
Olhei sem paciência para ele. Deus! Ele é prepotente, arrogante e tudo o mais... Por quê não colocar um conteúdo melhor numa embalagem tão bonita?
“Dizer sim”, ele riu “Por favor, Bailey, você sabe que nenhuma bailarina aqui consegue aquela sequencia”.
Ele tinha razão. Infelizmente, eu não ia recusar depois de olhar os olhos verdes dele.
“Tudo bem, mas isso não significa que somos amigos”. Concordei impotente.
As audições correram bem. E o resultado sairia online hoje a noite, segundo a professora.
“Ok Bailey, agora é só esperar”, eu disse pedalando rumo a minha casa.
De repente a coisa mais estranha do mundo aconteceu. O carro de Bruno parou do meu lado, enquanto ele abria a janela e me oferecia uma carona... Mais uma vez eu sabia que eu não ia recusar.

Um comentário:

  1. Genteeee, eu nunca assisti PLL O=, mas vou parar pra ver qualquer dia.
    Você escreve muito bem...

    Beijo,
    sweetgirldreams.blogspot.com

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